Como lidar com momentos de agressividade dos pequenos?

Cada fase da vida é cheia de aprendizados, descobertas e novas adaptações. Com as mudanças que acontecem durante a infância, não poderia ser diferente. Elas representam um grande desafio para pais e familiares de modo geral, especialmente se comportamentos considerados inadequados como os que acompanham momentos de agressividade, por exemplo, se manifestam.

Pirraças, birras, mordidas, gritos e beliscões, são algumas reações que os pequenos podem ter e é importante estar atento ao que isso representa, já que eles ainda não sabem como lidar com determinados sentimentos e nem adquiriram os recursos para explicitá-los de maneiras não agressivas. 

Neste post vamos compartilhar dicas e informações sobre como lidar com situações de agressividade de crianças e adolescentes. Acompanhe e saiba mais!

Sentimentos e comportamentos – raiva e agressividade não são a mesma coisa

Já reparou que, na maioria das vezes, quando vemos ou temos uma reação de agressividade, como falar de forma ríspida, em um tom elevado, dizemos que uma pessoa ou nós mesmos estamos com raiva? Na abertura do post também citamos alguns exemplos de reações que os pequenos podem manifestar. 

Tanto nossos exemplos iniciais como este aqui, tem a ver com comportamento, mais reação que ação. Já a raiva, ocupa o plano dos sentimentos. Sentimos raiva, frustração, decepção, entre outros, e manifestamos com alguma reação agressiva o que estamos vivenciando, pois não encontramos a forma de expressar de outra forma.

Se isso acontece com os adultos, não seria diferente com as crianças e elas ainda têm o agravante de não terem acumulado experiências e aprendizados suficientes para assimilar suas emoções e terem a oportunidade de agir, em lugar de reagir, de outra maneira.

Dificuldade de controlar a agressividade

É de amplo conhecimento e de certa forma está naturalizado que as crianças imitam os adultos, seus comportamentos, a forma de falar e tudo o mais que elas observam. Daí a importância de cuidar do ambiente de convivência familiar, bem como do convívio em sociedade. Até porque, como explicar depois, os gritos ao volante diante de um engarrafamento ou de uma freada inesperada de outro motorista?

A imitação também pode acontecer com a convivência no espaço escolar, vendo como outras crianças reagem a determinadas situações em que a agressividade está presente. Momentos de agressividade podem surgir de maneira inesperada e isso nos leva a questionar porque é tão difícil controlá-los.

Isso acontece muitas vezes porque colocamos caixinhas separadas para o bom e para o mau, o adequado e o inadequado, o esperado e o inesperado, sem nos darmos conta de que, em se tratando de emoções e sentimentos, o acolhimento é a melhor saída, independentemente da classificação que damos para eles. Em um espaço em que as emoções são acolhidas, assimiladas e compreendidas, é possível manifestar outras formas de atitude em relação a elas.

Sobre essa questão, o psicólogo e consultor pedagógico, Phelipe Ribeiro, afirma que “a questão da agressividade deveria ser pensada em um passo anterior, num diálogo e numa reflexão a respeito das razões pelas quais nos sentimos agressivos. Talvez assim a gente consiga lidar melhor com essa emoção e, quem sabe, agir de modo mais amplo a respeito de como eu reajo”.

Momentos de agressividade envolvendo crianças e adolescentes. Como lidar?

Crianças e adolescentes vivenciam processos de mudanças ainda mais fortes, pois seus conjuntos de experiências estão em plena fase de organização interna, o que implica não saber como explicar nem para si mesmos o que estão sentindo. O esperado é que os adultos possam ocupar o lugar das pessoas que podem compreender, acolher, guiar e acompanhar esses processos junto aos pequenos. 

O fato é que, em momentos de agressividade por parte das crianças ou adolescentes, a situação pode chegar a um nível em que nem sempre a paciência é a melhor companheira dos adultos, levando-os também a sentimentos de frustração e raiva, o que pode gerar ainda mais tensão para a situação.

Sabemos que fogo não apaga fogo, sendo assim, no calor dos acontecimentos, respirar, tomar uma água, dar um passo atrás, sempre com a compreensão de que uma palavra dita ou um gesto ainda mais agressivo pode causar danos emocionais irreversíveis aos pequenos. É fácil? Não, não é fácil, e é passível de cair em situações preferíveis de serem evitadas.

Vale ressaltar que, a atitude de resguardar-se nos momentos de agressividade, não significa ser conivente com a situação, mas sim, ocupar o lugar de autoridade, da pessoa que já tem mais recursos e experiências e que, portanto, poderia ter mais controle de suas emoções.

No artigo Entre o autoritarismo e a autoridade: o papel dos pais pela via do diálogo, a autora Carmen Campoy Scriptori, respondendo ao interesse dos pais sobre seus papéis e uso da autoridade e poder, aponta que “Este é geralmente definido como o exercício da autoridade para controlar e dirigir a criança, e mesmo o adolescente, tendo em vista educá-los para bem viverem em sociedade.”. 

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Como superar os momentos de agressividade – Veja as dicas!

Já antecipamos que nos momentos de agressividade, nem sempre é fácil lidar com a situação porque também ficamos à flor da pele. No entanto, podemos encarar como se fosse um treino, no qual vamos administrando diferentes recursos para incrementar nossas habilidades. Neste caso, habilidades emocionais e de acolhimento. 

Muita calma nessa hora!

Geralmente a criança que está manifestando comportamentos agressivos está tão presa às suas emoções que não consegue nem ouvir os adultos. Manter a calma é o primeiro passo para transformar a situação. Às vezes, observar o conforto térmico, por exemplo, se está muito calor ou frio, se ela necessita de água, demonstrar que você está presente e disposto a ajudá-la, podem ser medidas de intervenções para acalmar a situação.

Escuta empática

Colocar-se na mesma altura que ela, tentar olhar nos seus olhos, abraçá-la, ouvir e perguntar para confirmar o que ela realmente quer dizer, são formas de amenizar a situação. Às vezes, os momentos de agressividade surgem porque a criança tentou dizer algo aos pais ou cuidadores e sentiram-se ignoradas porque eles estavam ocupados. 

Em situações como estas, poder parar por alguns minutos, ouvir o que ela tem a dizer e explicar que está ocupado, mas estará disponível em outro momento, com as palavras adequadas à sua compreensão, já preveniria a condição de agressão.

Aguarde o momento certo de intervir

Se o pequeno estiver muito agitado, querendo chutar, morder e outras manifestações agressivas, num local com mais pessoas, por exemplo, poder levá-lo para um ambiente mais intimista, pode ser o mais adequado e também vai acontecer o momento em que o próprio cansaço vai vencê-lo. 

Assim como apontamos sobre ter paciência, é vital estar ao seu lado, de forma que ele sinta-se acompanhado, para então, nos intervalos que ele toma para se recuperar, fazer alguma pergunta ou dizer algo relacionado a situação. Cada caso é um caso e a sensibilidade da pessoa responsável também conta nestes momentos.

Ao sentir que ele já se acalmou, é importante explicar que esse tipo de comportamento pode machucar alguém e ele mesmo, que as pessoas têm sentimentos e que palavras e ações podem machucar. Enfim, usar palavras e frases que tenham a ver com o repertório comum de vocês.

Ajude-os a se expressar e dar nome aos sentimentos

O mais adequado é cuidar das emoções antes que ocorram momentos de agressividade. Essa afirmação pode parecer sem sentido, porque não sabemos exatamente quando os momentos de agressividade vão acontecer. O que queremos dizer é que podemos ajudar os pequenos previamente, por meio de jogos, brincadeiras, histórias e filmes animados, por exemplo, a identificarem situações semelhantes ao que eles já tenham sentido.

Com isso, eles podem aprender a nomear o que estão sentindo, já que nem sempre a manifestação de agressividade tem origem na raiva. Pode ser tristeza, um desejo não atendido, uma pergunta não respondida, entre outras possibilidades.

Com os adolescentes, vale sempre criar momentos em que esteja presente o diálogo, no horário de alguma refeição, por exemplo, assistir alguma série ou programa de seus interesses, fazer perguntas e realmente estar interessado nas suas respostas, já que nestes momentos de descontração podem surgir questões que eles estão atravessando, além de mergulhar nas suas formas de pensamento e expressão. 

Conclusão

Como vimos, lidar com momentos de agressividade não é algo que deva ser visto apenas quando eles acontecem. Poder promover um ambiente que contribua para que as emoções sejam acolhidas, em lugar de serem julgadas, é um exercício que exige maturidade dos adultos e é uma oportunidade de aprendizado tanto para os pais quanto para os filhos.

Até o próximo post!

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11/05/2021
Fernando Barcellos